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Terça-feira, 22 de Setembro 2026
Corrida

ABRACEO pede retirada de projeto que exige atestado médico para corredores em Salvador

A entidade apresenta um parecer técnico com considerações sobre a proposta e destaca possíveis consequências negativas da medida para a prática esportiva

ABRACEO pede retirada de projeto que exige atestado médico para corredores em Salvador
Divulgação
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A Associação Brasileira dos Organizadores de Corrida de Rua (ABRACEO) encaminhou um ofício ao vereador Randerson Vieira Leal, da Câmara Municipal, solicitando a retirada ou reformulação do projeto de lei que prevê a obrigatoriedade de apresentação de atestado médico para participação em corridas de rua em Salvador.

No documento, a entidade apresenta um parecer técnico com considerações sobre a proposta e destaca possíveis consequências negativas da medida para a prática esportiva na capital baiana.

Segundo o presidente da ABRACEO, Guilherme Celso, embora a proposta tenha o objetivo de ampliar a segurança dos participantes, a exigência obrigatória de atestados médicos pode gerar o efeito contrário ao esperado.

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“Hoje, o que mais mata no Brasil e no mundo não são as provas esportivas, mas sim o sedentarismo e as doenças crônicas decorrentes da inatividade física, como obesidade, hipertensão e diabetes. Impor mais uma barreira para a prática da corrida, atividade simples e democrática, contribui para afastar a população do esporte”, destacou o dirigente em nota.

Entidade cita estudos e recomendações médicas

De acordo com a ABRACEO, estudos da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) apontam que a atividade física regular é um dos principais fatores de prevenção da mortalidade cardiovascular. Para a associação, tornar o atestado obrigatório pode ampliar desigualdades de acesso ao esporte, especialmente em um país com o sistema público de saúde sobrecarregado.

A entidade lembra que, nos últimos anos, diversas cidades e estados revogaram leis que exigiam exames médicos para frequentar academias. Em muitos casos, a obrigatoriedade foi substituída pelo PAR-Q, questionário internacional que orienta o praticante sobre a necessidade de procurar avaliação médica antes de iniciar atividades físicas.

Logística em provas também preocupa

Outro ponto destacado pela ABRACEO é a dificuldade logística de aplicar a medida em eventos de corrida de rua. Diferentemente das academias, que recebem poucos novos alunos diariamente, as provas podem reunir milhares de participantes em um único fim de semana.

Segundo a entidade, uma corrida pode ter entre 2 mil e 30 mil corredores, o que tornaria inviável a verificação e controle de atestados médicos por parte dos organizadores.

A associação reforça que os eventos já contam com estruturas de segurança obrigatórias, incluindo equipes médicas, ambulâncias, desfibriladores e protocolos de emergência. “O que realmente salva vidas em provas esportivas são ações estruturais, como planejamento de percurso, hidratação, atendimento médico e comunicação rápida em caso de emergência”, afirma o documento.

Acesso à saúde é outro ponto levantado

No ofício enviado ao vereador, a ABRACEO também chama atenção para o acesso limitado ao sistema público de saúde. Em muitos estados, o tempo médio para conseguir uma consulta com cardiologista pelo SUS pode ultrapassar três meses.

Para a entidade, exigir exames médicos para participação em corridas poderia excluir justamente a parcela mais vulnerável da população, transformando a corrida de rua em uma atividade restrita a quem tem maior acesso a serviços de saúde.

A associação também lembra que a morte súbita durante a prática esportiva é considerada um evento raro. Estudos internacionais indicam que a incidência entre atletas jovens é de cerca de um caso a cada 200 mil por ano.

Pedido de diálogo

No documento, a ABRACEO afirma respeitar a iniciativa do parlamentar, mas defende que o projeto seja retirado de tramitação ou reformulado com base em critérios técnicos e científicos.

A entidade também colocou-se à disposição para participar de debates e audiências sobre o tema, com a participação de especialistas da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte e do conselho médico regional.

“Temos convicção de que todos desejam que o esporte seja seguro, acessível e promotor de saúde. Para isso, é fundamental que as políticas públicas incentivem a prática da atividade física, e não criem barreiras que afastem a população do esporte”, concluiu o presidente da associação, Guilherme Celso.

Corre Bahia

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