O relógio esportivo virou quase item obrigatório no pulso de quem corre. Para o treinador Renato Maia, a tecnologia representa um avanço importante no processo de treinamento, mas precisa ser usada com consciência.
Ele lembra que, no passado, os atletas treinavam praticamente “no feeling”, sem GPS e sem métricas detalhadas. “Hoje o relógio é essencial porque permite acompanhar distância, ritmo, frequência cardíaca, colocar alertas e analisar a evolução no aplicativo. Em um treino de tiro dá para saber se foi regular, progressivo ou se houve queda de rendimento. Métrica por métrica, você entende o que aconteceu”, explica.
Segundo Renato, a ferramenta ajuda principalmente no controle dos treinos leves, que muitos corredores negligenciam. “Nem todo dia é para treinar no limiar ou na zona de desconforto. Quanto mais sessões na semana, mais treinos leves entram na programação. O relógio ajuda o atleta a respeitar o ritmo certo.”
Por outro lado, ele faz um alerta: a dependência excessiva pode atrapalhar. “Não dá para ficar viciado em métrica. Isso pode gerar ansiedade e insegurança quando se treina sem relógio”, afirma.
O treinador defende que parte dos treinos seja guiada pela percepção de esforço. Em atividades como fartlek ou treinos de pista, por exemplo, é possível usar referências naturais e marcações do local, sem checar o tempo a todo momento.
Outro ponto é que o ritmo ideal varia conforme o contexto. Fatores como calor, noites mal dormidas ou uma prova recente podem alterar o desempenho. “Um leve em zona 2 pode ser 6min/km em um dia e 6min50/km em outro. O corpo precisa ser ouvido.”
Para Renato Maia, o relógio esportivo é uma ferramenta poderosa, mas o autoconhecimento continua sendo parte essencial da evolução na corrida.

Corre Bahia