A evolução dos tênis de corrida trouxe placas de carbono, espumas mais responsivas e solados cada vez maiores. Mas existe um limite. Dependendo da competição, correr com um modelo fora das regras pode até resultar na desclassificação do atleta.
A World Athletics estabelece critérios para os calçados utilizados em competições sob suas regras. Nas provas de rua, a espessura máxima da sola é de 40 milímetros. Há ainda exigências relacionadas às estruturas rígidas incorporadas ao tênis e à aprovação do modelo para cada modalidade.
Um dos casos mais extremos é o Puma Fast-RB Nitro Elite. O “RB” significa “Rule Breaking”, ou “quebrando as regras”. São 58 mm de NITROFOAM Elite, 18 mm acima do limite das provas de rua, além de três estruturas PWRPLATE.
Ele não está sozinho. O Adidas Adizero Prime X 2 Strung chega a cerca de 50 mm de altura. Outros exemplos conhecidos são o New Balance FuelCell SuperComp Trainer, cuja primeira versão alcança 47 mm; o ASICS Superblast, com 45,5 mm; e o Hoka Skyward X, que chega a 48 mm.
Mas atenção: chamar esses tênis de “proibidos” não significa que seja proibido comprá-los, treinar com eles ou utilizá-los em qualquer corrida. A restrição está relacionada às competições que adotam as normas correspondentes.
Para atletas sujeitos às regras, porém, o assunto é sério. Em 2021, o etíope Derara Hurisa cruzou a linha de chegada em primeiro na Maratona de Viena, mas foi desclassificado por utilizar um Adidas Prime X fora das especificações permitidas.
Por isso, quem disputa provas competitivamente deve conferir não apenas a tecnologia do tênis, mas também se o modelo está autorizado para aquela modalidade. A World Athletics mantém uma ferramenta oficial para consulta dos calçados aprovados.
Com os supertênis cada vez mais avançados, fica o alerta antes da largada: o modelo escolhido para ganhar alguns segundos pode acabar custando o resultado inteiro da prova.

Corre Bahia