Fábio Cordeiro carrega nos pés uma história que começou muito antes das competições. Na infância e adolescência, vivia descalço e só calçava tênis para praticar esportes. Ainda assim, passou 14 anos correndo provas de rua com tênis, período em que acumulou 28 lesões, seguindo planilhas tradicionais de treinamento.
A virada aconteceu quando passou a pesquisar e estudar a corrida barefoot, natural e minimalista. Inspirado por atletas como Grilo, Teixeirinha e Petrônio, que ele via vencer provas correndo descalços, decidiu testar no próprio corpo o que aprendia. Desde então, soma 12 anos correndo descalço e garante nunca ter sofrido uma lesão nesse período. Para ele, é simples: é a própria cobaia dos seus experimentos.
Fábio define a corrida descalça como conexão, mas sem qualquer intenção de convencer outras pessoas. Evita debates e reforça que cada corredor deve fazer suas próprias escolhas.
No dia 18 de julho, encara mais um grande desafio. Vai percorrer 100 km descalço, de Feira de Santana a Salvador. Não será novidade. Ele já completou essa distância seis vezes e está no quarto ano consecutivo correndo todos os dias. Atualmente, treina em dois períodos, alternando manhã, tarde e noite. Segundo ele, o treino mais difícil é correr após o almoço.
Apesar do feito extremo, relativiza. Afirma que ninguém precisa correr 100 km, que todas as distâncias têm valor e que cada prova tem sua história. Para ele, correr 100 km é apenas fazer dez corridas de 10 km no mesmo dia.

Corre Bahia
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