Para muitas mulheres, especialmente corredoras, a dificuldade em reduzir o volume das pernas mesmo com treino e alimentação equilibrada pode parecer apenas uma questão estética. No entanto, esse quadro pode estar relacionado ao lipedema, uma condição crônica que afeta a distribuição de gordura no corpo e vai muito além da aparência. Segundo a nutricionista Gabriela Veiga, entender essa diferença é fundamental para mudar a forma de tratamento e melhorar a qualidade de vida.
Diferente da gordura localizada comum, o lipedema provoca acúmulo desproporcional, principalmente em pernas e braços, e não responde de forma eficaz a dieta e exercício. Além disso, surgem sinais como dor, sensibilidade ao toque, inchaço, sensação de peso e facilidade para hematomas. “Não é apenas gordura, é um tecido metabolicamente alterado”, explica. Segundo ela, reconhecer isso muda completamente a abordagem, que deixa de focar apenas no emagrecimento e passa a priorizar o controle inflamatório, a composição corporal e a qualidade de vida.
No universo da corrida, onde o corpo está em evidência, o impacto vai além da saúde física. Mesmo com rotina disciplinada, muitas mulheres enfrentam frustração ao perceber que as pernas não respondem na mesma proporção do restante do corpo. “Existe uma quebra de expectativa: a mulher treina, se alimenta bem, performa, mas o corpo não responde da mesma forma”, afirma. Essa desproporção pode afetar diretamente a autoestima, além de sintomas como dor, inchaço e desconforto interferirem na experiência durante os treinos.
Outro ponto importante é a falsa ideia de que aumentar o volume de treino resolve o problema. “No lipedema, a lógica é diferente. Não é uma gordura comum”, destaca Gabriela. Segundo ela, há um desequilíbrio metabólico com inflamação persistente e alterações na circulação, o que reduz a resposta às estratégias tradicionais. Em alguns casos, o excesso de treino sem orientação adequada pode até agravar sintomas.
A alimentação, por sua vez, tem papel central no manejo da condição. “Uma dieta rica em ultraprocessados e açúcares tende a piorar a inflamação, enquanto uma estratégia nutricional bem ajustada pode melhorar significativamente sintomas como dor e inchaço”, explica. Ainda assim, o tratamento exige uma abordagem multifatorial, que inclui treino orientado, terapias compressivas, sono adequado e controle do estresse.
Mais do que estética, o lipedema exige um olhar clínico e uma estratégia integrada, especialmente para quem busca desempenho e bem-estar na corrida.

Corre Bahia
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