A corrida vai muito além do físico. Para a psicóloga Isabelle Palma, o impacto da prática na saúde mental é profundo e acontece em diferentes níveis. “Ela estimula neurotransmissores como endorfina e serotonina, ligados ao bem-estar e à redução do estresse”, explica. Mas não para por aí. Segundo ela, correr também cria um espaço de pausa na rotina, ajudando a organizar pensamentos e aliviar a sobrecarga emocional.
A relação da especialista com a corrida, inclusive, nasceu de um momento delicado. Após a perda do pai, corredor, ela encontrou no esporte uma forma de elaborar o luto. “Com o tempo, virou uma escolha consciente de cuidado com a minha saúde mental”, relata. Esse processo também fortalece autoestima e sensação de autonomia, fatores essenciais no dia a dia.
Quando o assunto é performance, Isabelle é direta: a mente pode ser determinante. Ansiedade, autocobrança e comparação constante são fatores que travam a evolução, mesmo com treinos consistentes. “A performance é biopsicossocial. Focar só no pace pode aumentar a frustração”, destaca. Trabalhar autocompaixão e valorizar o processo são caminhos para destravar o rendimento.
Entre mulheres, há ainda um fator importante: o medo de correr sozinha. Para a psicóloga, esse sentimento é legítimo e impacta diretamente a experiência com o esporte. “O corpo entra em estado de alerta, o que impede que a corrida seja prazerosa”, explica. Estratégias como escolher locais seguros, correr em grupo e usar recursos de segurança ajudam, mas o trabalho emocional também é essencial para equilibrar esse medo.
Por fim, ela faz um alerta sobre os limites entre disciplina e excesso. Quando a corrida deixa de ser escolha e passa a gerar culpa, ansiedade ou sofrimento, é hora de reavaliar. “O ideal é que ela seja uma aliada da saúde, não mais uma fonte de pressão”, conclui.

Corre Bahia
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