Apaixonado por corrida, tecnologia e análise de dados, o brasileiro Roberto Abrahão transformou essas três áreas em um projeto que tem chamado a atenção da comunidade da corrida. Ele desenvolveu um sistema capaz de analisar resultados de maratonas e identificar possíveis casos de atletas que encurtaram o percurso durante as provas.
A ideia nasceu da experiência como auditor, aliada ao interesse por programação e produção de conteúdo. "Vi que ninguém analisava aqueles dados que estão disponíveis há tanto tempo. Juntei corrida, programação, análise de dados e produção de vídeos, e o projeto nasceu", conta.
A ferramenta utiliza as parciais de tempo disponibilizadas pelas organizadoras para identificar anomalias de desempenho. Após analisar milhares de resultados, o sistema seleciona apenas algumas dezenas de corredores com indícios de irregularidade. Depois, Abrahão compara os tempos com o mapa do percurso para verificar se pode ter ocorrido um corte de caminho.
Segundo ele, alguns dos casos mais curiosos envolvem corredores amadores que registram, em determinado trecho da maratona, tempos superiores aos recordes mundiais dos 5 km ou dos 10 km.
"Quando isso acontece justamente em um trecho favorável para cortar caminho, é um forte indicativo de irregularidade", afirma.
Em alguns casos, ele confirmou a suspeita ao analisar o trajeto registrado pelo próprio atleta no Strava. Um dos episódios mais curiosos envolveu um corredor que substituiu o mapa original da atividade por uma imagem oficial do percurso da prova para esconder um possível atalho.
Para Abrahão, a tecnologia pode ser uma aliada dos organizadores. Ele defende análises automatizadas antes da homologação dos resultados e acredita que, no futuro, a inteligência artificial poderá cruzar imagens e dados da cronometragem para reforçar o combate às fraudes.
"Na dúvida, o resultado pode ficar pendente até uma análise manual. O objetivo é garantir provas mais justas e preservar a credibilidade das competições", conclui.

Corre Bahia