O ciclo menstrual pode, sim, impactar o desempenho na corrida. Mas não da forma que muita gente imagina. Segundo a ginecologista Graziele Reis, as evidências mais atuais mostram que o efeito é pequeno e altamente individual.
“Os estudos científicos relatam que existe influência, mas ela é pequena, variável e não acontece em todas as mulheres”, explica.
De acordo com as revisões, o desempenho tende a ser ligeiramente inferior na fase folicular inicial, a fase menstrual. “Nessa fase há baixos níveis de estrogênio e progesterona, menor proteção muscular mediada pelo estrogênio e maior fatigabilidade neuromuscular”, detalha. Alguns estudos observaram menor força, maior percepção de fadiga e possível redução leve do desempenho aeróbico.
Ainda assim, não há evidência consistente de diferenças significativas do desempenho nas fases folicular tardia, ovulação ou fase lútea. “O rendimento é geralmente semelhante ao longo do ciclo, podendo ser apenas discretamente pior durante a fase menstrual”, resume.
E é preciso mudar o treino? A resposta é simples. “não é obrigatório realizar alterações com base no ciclo menstrual, porque a evidência de impacto significativo no desempenho é limitada e inconsistente.” Inclusive, indicadores importantes como VO₂max e limiar de lactato praticamente não sofrem variações relevantes entre as fases.
Por outro lado, sintomas como cólica, inchaço e alterações de humor podem pesar mais que os hormônios. “Muitas vezes o principal fator de queda de desempenho não é o hormônio diretamente, mas a dor, o desconforto e a sensação maior de cansaço que algumas mulheres podem apresentar nos períodos próximos à menstruação.”
Na prática, isso significa que o ciclo pode influenciar o seu pace em alguns dias, mas não define sua performance. A ciência não sustenta regras fixas, e sim uma abordagem individualizada baseada na resposta de cada corredora.

Corre Bahia
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