Para Luciane Hamaguchi, correr nunca foi apenas sobre pace, medalhas ou quilômetros. Antes de se tornar meia maratonista e criar o Correndo com a Lu, a corrida surgiu como uma aliada em um período de ansiedade, mudanças e incertezas.
A história começou em 2007, quando deixou o trabalho como advogada para estudar para concursos públicos. Eram cerca de 12 horas diárias de estudo. A ansiedade trouxe compulsão alimentar e oito quilos a mais. Foi quando procurou uma academia e começou a caminhar na esteira.
Aos poucos, intercalou caminhada e pequenos trotes até conseguir correr 30 minutos sem parar. “Para quem não corre, correr 100 metros parece impossível. Aquilo me fortaleceu mentalmente para acreditar nos meus sonhos”, conta.
Vieram as aprovações, mudanças de cidade, o desejo de ser mãe, dificuldades para engravidar, o nascimento da filha e a pandemia. Em 2022, já em Salvador, Luciane retomou a corrida. A partir de 2024, iniciou uma preparação mais focada e passou a buscar objetivos maiores no esporte.
“Quando eu corro, esqueço dos meus problemas. Eu medito em movimento, renovo a minha energia. A corrida para mim vai ser isso sempre.”
Foi nesse caminho que nasceu o Correndo com a Lu. Criado inicialmente para participar de uma seleção de embaixadores da Asics, o perfil ganhou um significado muito maior. Luciane não foi selecionada, mas encontrou justamente aquilo que buscava: pertencer à comunidade da corrida.
O espaço passou a reunir histórias de corredores, entrevistas com especialistas e experiências capazes de inspirar quem pratica o esporte. Hoje, ela recebe mensagens de pessoas que começaram a correr ou encontraram motivação depois de acompanhar seu conteúdo.
Fora das pistas, Luciane é procuradora da Fazenda Nacional. Na corrida, encontrou o que define como seu “Ikigai”, expressão japonesa associada a propósito de vida.
“Tudo que eu desejo é poder correr até o último dia da minha vida, independentemente de tempo, pace ou qualquer outra coisa.”
Para ela, a maior conquista não está no cronômetro. “Saber que alguém começou a correr, acreditou em si mesmo ou se motivou por minha causa não tem preço.”

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