Com a Maratona de Salvador, em setembro, e a Maratona de Aracaju, em novembro, corredores entram em uma fase decisiva da preparação. É nesse período que muitos sentem pernas pesadas, recuperação mais lenta e queda no rendimento. Segundo a nutricionista esportiva e maratonista Inês Dourado, especialista em estratégias nutricionais para provas de endurance, esses sinais nem sempre indicam falta de treino, mas podem estar relacionados à oferta insuficiente de energia para suportar a carga de treinamento.
“O maior erro é acreditar que a nutrição começa na semana da prova. Ela começa no primeiro treino do ciclo. Cada sessão é uma oportunidade de preparar o organismo para as exigências dos 42 quilômetros”, afirma.
Com o aumento do volume e da intensidade dos treinos, crescem também as necessidades de carboidratos, proteínas, hidratação e eletrólitos. Sem uma estratégia adequada, o corredor pode acumular fadiga, ter dificuldade de recuperação e comprometer seu rendimento.
Em Salvador, há ainda o desafio do calor e da umidade, que favorecem maior perda de líquidos e eletrólitos pelo suor. Uma reposição inadequada pode aumentar a sensação de esforço, dificultar a manutenção do ritmo e prejudicar a recuperação.
Outro ponto importante é treinar a estratégia nutricional da prova. Géis de carboidrato, hidratação e a tolerância gastrointestinal devem ser testados durante o ciclo, reduzindo o risco de desconfortos e ajudando o organismo a receber a energia necessária na maratona.
Para quem correrá Salvador e Aracaju, Inês orienta pensar nas duas provas dentro de um mesmo planejamento. Após a primeira maratona, a recuperação nutricional será fundamental para repor os estoques de energia, favorecer o reparo muscular e preparar o corpo para o próximo desafio.
“A maratona não recompensa apenas quem treinou mais. Ela recompensa quem chegou mais preparado”, conclui Inês Dourado.

Corre Bahia